quinta-feira, 6 de maio de 2010

É, domingo é Dia das Mães

Com ele encaixado no meu colo, olho no olho, eu segurando duas mãozinhas abertas no meu rosto, um pouquinho de pretensão:

-Você gosta de mim mais que tudo ou um tantinho menos que mais que tudo?
-Eu gosto docê, mamãe. Bip-biiiiip, buzina de caminhão.

E riu, desvencilhando as mãos rápidas para transformar meu nariz em um volante barulhento.



Não gosto do Dia das Mães.
Não me agradava quando era criança e fazia cartão na escola. Fiquei com raiva quando minha avó morreu em um deles, na adolescência. Continuei não sendo simpática depois que comecei a comprar presentes. Ainda não consegui me acostumar com o fato de que também é meu dia. Mas, às vezes, eu me emociono com as propagandas sobre o dia de comprar presentes para as mães, como aconteceu ontem com o comercial da Renner. Pensei em quem faz plano, imagina, sonha em ser mãe. E não consegue.

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Lembrei da Valdivânia. Recordei a emoção dela em pegar o Marco Antônio no colo, a vontade desenhada nos olhos de ter uma criança para si, o pedido brincalhão, mas sincero, de que eu gerasse um filho para ela. Em tempo: não planejei ser mãe e não inclui emoções muito saudáveis na gestação. Imaginei muito pouco o rosto que teria meu filho e o que eu faria com ele depois, apenas deixar levar, sem mapa e sem GPS. Inacreditavelmente, deu certo - e muito, mas sem eu deixar de questionar o quanto a vida é sarcástica.

Parece brincadeira do destino que mulheres que nunca sonharam com a maternidade tenham filhos indesejados. É cruel que aquelas que sonham com isso todos os dias nunca possam experimentar a sensação de olhar para uma criança agarrada no peito e perceber que a vida sem aquele pedacinho de gente não faria sentido.

É mais cruel ainda que algumas mulheres experimentem a maternidade com um filho que, de repente, não é tão seu como se pensava, como aconteceu com a Queila e a Elaine em Goiás.

É desumano que algumas, como a Ana Carolina, percam os filhos e passem o domingo só com a lembrança dos parabéns e do abraço que poderiam receber. É lamentável, mas humano e comum, que muitas pessoas só tenham a lembrança da mãe.

E, sim, é meio idiota eu não gostar da data, mas fundamental eu não esquecer dela nos outros dias do ano – do lado de cá e de lá da corrente.

P.s.: o itálico do começo é um motivo forte para eu não gostar do Dia das Mães, mas amar cada um dos meus momentos de mãe. Eles valem bem mais a pena que os cumprimentos e as flores que virão pela data.

7 comentários:

  1. Graci, eu sinceramente não sou mto favorável aos 'Dias de', apesar de amar comprar presentes neles!
    rsrs...
    Não acho que seja preciso um dia das mães, meramente comercial. Minha mãe sabe que a amo todos os dias e o fato de eu ter que comprar um presente pra ela porque o comércio exige bem quando eu tô super quebrada acaba comigo.
    E, sim, também acho que a data aumente cicatrizes. Escrevi isso hoje, no editorial. Como a daquela cabelereira que conhecemos, não lembro o nome, que perdeu a mãe bem no dia das mães e que, até o momento em que a conhecemos, mesmo depois de mãe, não sentia tanta alegria no dia.
    Assim como imagino que as mães que perderam seus filhos também só vejam dor nesse dia. Ou de mulheres como a Valdivânia (confesso que me segurei para não chorar de lembrar dela!), que nasceram para ser mães e simplesmente não podem.
    Os casos são tantos que acredito que não seja preciso citar mais.
    De qualquer forma, àqueles que podem comemorar e que gostam da data, que o dia seja iluminado. E que possam se lembrar das suas mães diariamente, quando perdem a paciência e são rudes, por exemplo. Para que essa dosezinha a mais de paciência diária seja seu presente de dia das mães. Que sejam carinhosos, doces, que as encham de orgulho. Que as façam, em todos os seus dias, não apenas no segundo domingo de maio, as mães mais felizes do mundo.

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  2. Eu gosto do dia das mães. Lembro dos domingos que ia para casa da minha falecida vó ou dos almoços com toda a família reunida, Bortolli e Menezes. A data trazia todos à mesma mesa, ao mesmo abraço. Presentes são à parte. O essencial desse dia é que o amor transborde além do que transborda nos outros dias...a gente esquece de amar na rotina. O "Dia de" me faz pensar a respeito, me chama atenção para o que envolve a data.
    Não tenho pretensão de ser mãe. Orgulho-me de todas aquelas que são, acho que ser mãe é um trabalho árduo contínuo regado de um amor incondicional. O verbo doar impera naquelas que são premiadas (ou não) com a maternidade.
    Se um dia for mãe, vou me esforçar para ser boa tanto quanto a minha é (vai ser difícil).
    Àquelas que desejam ser mãe, mas por algum motivo não podem,eu indico a adoção. Tem mulher que passa anos tentando inúmeros métodos e não engravida, enquanto há milhares de crianças a espera de uma mãe.
    Feliz dia das mães, Graci.

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  3. Nossa Graci, acredita que eu chorei quando vi aquele comercial da Renner!
    Acho que no fundo eu tenho medo de nunca ter um filho gerado por mim.Mas sabe Lari, penso na adoção tmbm!

    Quanto a data, nunca dei muita importância a ela não, não me sinto obrigada a dar presentes, e raramente fazemos algo especial nesse dia em casa...nada de presentes e nem de almoço especial reunindo famílias!rs
    os dias de carinho(acredito eu) valem sempre mais a pena.

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  4. Eu não chorei, Wal, mas senti aquele nó no peito.

    Lembrei de vc também, que esses dias escreveu sobre a vontade de ser mãe. E é claro que dá um medo de não poder, né? Eu quero ter mais filhos e tanto faz se forem naturais ou não, porque o amor, acredito, é o mesmo, mas a experiência é única (é bem ruinzinha, para ser sincera, mas eu até toparia de novo, haha).

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  5. Também não gosto destas datas criadas apenas para aquecer as vendas do comércio. No caso do "Dia das Mães", penso não só nas mulheres que não podem ter filhos, mas também naquelas que já perderam seus filhos. Imagino que a data sirva apenas como um dia para se passar na deprê. Penso também nos filhos que já perderam as mães. Ou naqueles que nunca tiveram uma mães. Não foi para esses que o "dia das mães" foi criado, afinal, eles não têm pra quem comprar presentes...

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  6. Se for assim, não tinha que ter data nenhuma. De nada, nadinha. Todo mundo tem alguma coisa ruim para lembrar, independente de data..Sei lá!

    Sobre o comércio, faz parte. Quem quer, dá presente, quem não quer...não dá. Não é uma regra.

    Vamos ver os comentários que vão sair no dia dos namorados, do natal, ano novo...hahaha

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  7. Ai, Graci, eu tenho problemas com a maioria das datas comemorativas.
    Me evocam uma solidão sem sentido, uma monotonia pré estabelecida.
    Acho que entendo seu ponto de vista. Mas apesar disso tudo, você tem aquele loirinho coisa linda pra te dar um abraço e fazer você esquecer que o dia das mães te desagrada.
    Parabéns de qualquer forma! :)

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