sábado, 10 de abril de 2010

Várias verdades.

Algumas vezes fico a semana toda procurando um tema que tenha conteúdo, algo que eu saiba explicar ou comentar, algum tema que tenha a cara do nosso blog. Desta vez concluí que não existirão assuntos mais naturais com conteúdo mais verídico do que aqueles que remetem à nossas vidas, ao que já experimentamos e vivemos.

Algumas coisas são difíceis de dizer. Parece que em voz alta o coração escuta, a garganta trava. Por isso aconselho a escrita. Escrever é um hábito saudável, uma vez que a ponta do lápis toca o papel, acontece. O que está emperrado, travado, sai.
No embalo dos dedos nas teclas - na falta de lápis e papel – algumas coisas fluem, saem daqui...acho que tenho trocado meus cadernos pelo layout do Word.
Eu gostaria de contar que tive meses difíceis há um tempo. E conto escrevendo, porque falando, apostem, eu choro. Por um tempo não encontrava respostas para coisas triviais e achava que por isso estava me afundando. É verdade que a maioria se perde em meio a tantas perguntas e dúvidas típicas da transição adolescência – vida adulta, e em partes isso se deve à falta de diálogo durante o crescimento. Eu nunca deixei que invadissem minha bolha e, por isso, levo parte da culpa pela irresponsabilidade e/ou imaturidade com que encarei parte da época teen. Culpa porque não aceitava conversar, porque achava que auto-suficiência e independência eram a mesma coisa ou, obrigatoriamente, andavam lado a lado. Então, um dia, ganhei um caderno em branco de uma pessoa que admiro muito. Admiro pela forma como soluciona os problemas e não os deixa interferir na sua essência. Felicidade. Como essa pessoa, percebi que o desabafo, ainda que para mim mesma, despertava uma sensação de alívio, mesmo que inicialmente momentâneo.
Acho ruim contar histórias assim, na primeira pessoa. Me soa egoísta. Mas desconfio que isso se deve, em partes, àquela neura de querer um raio livre de 3 metros a minha volta. Às vezes escuto apenas as três primeiras orações de uma música da Giusy Ferreri, que aprendi no intercâmbio: "ho difeso le mie scelte, io ho credutto nelle attese, io ho saputo dire spesso di no". - "tenho defendido minhas escolhas, eu tenho acreditado na espera, tenho sabido dizer não frequentemente".
E assim justifico os resquíceos da neura.
A verdade é que, pouco a pouco, as coisas tomam um rumo. A verdade do passado já não parece tão verdadeira e, por mudança de opinião - ou simplesmente amadurecimento – a vida acontece de forma leve. Conversando com uma amiga esses dias, percebi que o bicho de sete cabeças da depressão é tão comum quanto uma gripe (sem trocadilhos infames) e, para a dor de cabeça dos céticos, já não é mais diagnosticada como frescura ou falta de palmadas. Acontece, sem motivo aparente.
Então, como avanço da escrita, a fala. Para quem, como eu, não cresceu sabendo escutar opiniões e expor suas próprias, lápis para os iniciantes. No desenvolver dos hábitos acabamos por perceber que falar é tão bom quanto um benegripe.

9 comentários:

  1. Sabe que me identifiquei mais uma vez com um texto seu Maju!?
    Também cresci sem perimitir interferências, sozinha na minha bolha, quebrando a cara na maioria das vezes.
    Quanto a escrever, sou suspeita em dizer né..sou amante das letras!rs
    Escrever desabafa mesmo!

    Amei o texto =)

    ResponderExcluir
  2. Concordo com vc. Escrever lava a alma, e de vez em quando somos obrigadas a expelir o que nos, pouco a pouco, consome.
    Viva as letras!!!

    ResponderExcluir
  3. Aiii Ma adorei o texto!!!

    excrever faz bem!! no me caso alivia!!!!!


    amei!!!

    ResponderExcluir
  4. Maju, sempre preferi escrever. Quando precisava dar uma notícia triste, desabafar ou brigar, principalmente. Com as palavras faladas costumo ser mais rude do que esperava, menos paciente do que planejava. E, de acordo com a minha psicóloga, é a minha maneira de me defender. Apesar de sempre ter tido um bom relacionamento com os meus pais, cresci numa bolha. Pelo menos é o que concluiu a psicóloga. Porque eu me abro, em partes. E guardo o que mais me dói e continua me corroendo comigo mesma. Talvez carregue para sempre...
    Bjooo

    ResponderExcluir
  5. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  6. Não sou boa em falar, mas acho que meu caso é pior que o seu, não sou boa em escrever o que penso não. Como disse esse final de semana, falar o que a pessoa está pensando gera conflitos, e não gosto disso. Rs...

    Bjusss

    ResponderExcluir
  7. Escreva, Maju, escreva.

    É bom para criar laços consigo mesma, sei bem do que estou falando. Tenho uma coleção de diários, mas, adivinhe, faz mais de um ano que não os abro mais, não mesmo.

    Pense em uma pessoa que sofria... Sofria escrevendo, sofria lendo depois... Um caos! Por isso hoje eu escrevo, mas não leio. E muitas vezes eu escrevo para os outros, mas não envio (www.naoenviadas.blogspot.com). E falar, também, pode ser muito bom.

    Continue falando/escrevendo para a gente.

    Bjo!

    ResponderExcluir
  8. É, desengasgar os dedos faz bem.
    =]

    ResponderExcluir
  9. Não faz muito tempo que percebi como faz bem escrever! Muito bom o texto Má!!
    Beijoo

    ResponderExcluir