segunda-feira, 12 de abril de 2010

Visão ‘photoshopiada’

A modernidade trouxe liberdade às mulheres, que hoje garantem para si boas e promissoras carreiras profissionais, longe de fogões e tanques. Também, deu-lhes uma vida amorosa mais prazerosa do que imposta, escolhendo entre aquele, este ou nenhum. E a vida da mulher seria um conto de fadas moderno, se não existisse o ‘se’. Se a guerra não tivesse sido declarada.
O inimigo número um das mulheres só as ataca e contra-ataca, já sem armas, pois batom, blush e rímel não funcionam mais, o sexo feminino estende a bandeira branca, rendendo-se à beleza irreal. Assim, o rei da perfeição, capaz de em alguns instantes corrigir imperfeições que nem o melhor médico do mundo ou o mais caro tratamento do planeta retirariam, vence-as diariamente. Suas obras primas são esculpidas em todos os cantos, seja este canto onde for, revistas, jornais, sites, outdoors, rótulos, embalagens...fotos, fotos, fotos. É o mundo Photoshop engolindo o mundo humano. Exagero? Não, não é não.
Tem pessoa achando que o programa já é gente, tira a foto e emenda: “Depois você pede para o Photoshop tirar as minhas manchas e essa espinha daqui?”.A distorção da realidade é tendência interplanetária! Os franceses começaram a se preocupar com esse ‘fenônomeno photoshopariano’, e por lá já existe um projeto de lei em andamento para proibir, ou ao menos limitar, o uso de imagens alteradas pelo rei da perfeição. Assim, na França, se a lei for aprovada, os anúncios serão obrigados a informar a manipulação de imagens, algo como: “Esta imagem foi alterada digitalmente e pode não corresponder à realidade”. Iniciativa bacana, e ousada para o momento em que vivemos, onde uma imagem é tudo, ser não é nada e atitude é zero. Palmas aos franceses!
Teve gente que não gostou, principalmente os que ‘photoshopiam’ por aí, ali e aqui. O que seria da Vip e da Playboy, caso esta lei fosse implantada no Brasil? E da Nova, Boa Forma, Claudia e demais. A Veja também caiu em tentação, na verdade foi um escorregão. Recentemente, não lembro o mês, mãe e filha estampavam a capa da magazine, era a modelo Daniella Sarahyba e sua mãe. Elas ilustravam a matéria “Jovens por mais tempo - Os sem-idade”, acerca do aumento da expectativa de vida aliada à longevidade. Bingo! A mãe da modelo realmente parecia não ter idade, aos 50 e poucos anos, ela matinha, na capa da revista, os mesmos traços da filha de 20 e poucos: rosto sem rugas, sem marcas de expressão, uma face exageradamente jovial e escandalosamente ‘photoshopiada’.
O argumento daqueles que defendem o Photoshop é de que as pessoas sabem que aquela imagem não é real, por isso não seria necessário a especificidade desta não-realidade. A advertência das imagens modificadas seria como obrigar as rádios a avisar o ouvinte que “aquela voz foi gravada em estúdio e otimizada por um técnico de áudio e não corresponde à voz real de determinado cantor ”, defenderam os ‘photoshopmaníacos’.
O fato é que nunca vi ninguém fazendo gargarejos ininterruptamente para ter uma boa voz e nem exercitando as cordas vocais para que elas ficassem mais ou menos toante. O que vejo são mulheres frenéticas, fazendo assiduamente exercícios em barras, em cochonetes e cama elástica. Querem bunda empinada, seio firmes e barrigas saradas. Quando a academia não adianta mais, que é o que geralmente acontece, elas passam a se amontoar em filas quilométricas, esperando um seio novo, uma barriga sequinha e uma bunda menos mole, através da lipoaspiração. É a busca desenfreada por uma beleza que jamais será alcançada.
Obrigar os publicitários a serem mais realista é colaborar para a queda dos distúrbios alimentares, que é exacerbadamente maior nas mulheres do que nos homens. É um freio àquelas que se mostram obcecadas pela magreza e às que se sentem excessivamente pressionadas a corresponderem às imagens presentes na mídia. Afinal, eu nunca vi ninguém reclamando dos playback da Kely Key, mas já vi muita gente falando da celulite dela que saltou para fora , devido à saia curta demais. Todo mundo achou feio. Manias de quem já enxerga tudo ‘photoshopiado’.

PS: Este texto foi editorial do Jornal Correio do Cidadão, no final do ano passado. Sou péssima com datas, não sei exatamente quando foi publicado, mas acredito que o tema tá em voga.

sábado, 10 de abril de 2010

Várias verdades.

Algumas vezes fico a semana toda procurando um tema que tenha conteúdo, algo que eu saiba explicar ou comentar, algum tema que tenha a cara do nosso blog. Desta vez concluí que não existirão assuntos mais naturais com conteúdo mais verídico do que aqueles que remetem à nossas vidas, ao que já experimentamos e vivemos.

Algumas coisas são difíceis de dizer. Parece que em voz alta o coração escuta, a garganta trava. Por isso aconselho a escrita. Escrever é um hábito saudável, uma vez que a ponta do lápis toca o papel, acontece. O que está emperrado, travado, sai.
No embalo dos dedos nas teclas - na falta de lápis e papel – algumas coisas fluem, saem daqui...acho que tenho trocado meus cadernos pelo layout do Word.
Eu gostaria de contar que tive meses difíceis há um tempo. E conto escrevendo, porque falando, apostem, eu choro. Por um tempo não encontrava respostas para coisas triviais e achava que por isso estava me afundando. É verdade que a maioria se perde em meio a tantas perguntas e dúvidas típicas da transição adolescência – vida adulta, e em partes isso se deve à falta de diálogo durante o crescimento. Eu nunca deixei que invadissem minha bolha e, por isso, levo parte da culpa pela irresponsabilidade e/ou imaturidade com que encarei parte da época teen. Culpa porque não aceitava conversar, porque achava que auto-suficiência e independência eram a mesma coisa ou, obrigatoriamente, andavam lado a lado. Então, um dia, ganhei um caderno em branco de uma pessoa que admiro muito. Admiro pela forma como soluciona os problemas e não os deixa interferir na sua essência. Felicidade. Como essa pessoa, percebi que o desabafo, ainda que para mim mesma, despertava uma sensação de alívio, mesmo que inicialmente momentâneo.
Acho ruim contar histórias assim, na primeira pessoa. Me soa egoísta. Mas desconfio que isso se deve, em partes, àquela neura de querer um raio livre de 3 metros a minha volta. Às vezes escuto apenas as três primeiras orações de uma música da Giusy Ferreri, que aprendi no intercâmbio: "ho difeso le mie scelte, io ho credutto nelle attese, io ho saputo dire spesso di no". - "tenho defendido minhas escolhas, eu tenho acreditado na espera, tenho sabido dizer não frequentemente".
E assim justifico os resquíceos da neura.
A verdade é que, pouco a pouco, as coisas tomam um rumo. A verdade do passado já não parece tão verdadeira e, por mudança de opinião - ou simplesmente amadurecimento – a vida acontece de forma leve. Conversando com uma amiga esses dias, percebi que o bicho de sete cabeças da depressão é tão comum quanto uma gripe (sem trocadilhos infames) e, para a dor de cabeça dos céticos, já não é mais diagnosticada como frescura ou falta de palmadas. Acontece, sem motivo aparente.
Então, como avanço da escrita, a fala. Para quem, como eu, não cresceu sabendo escutar opiniões e expor suas próprias, lápis para os iniciantes. No desenvolver dos hábitos acabamos por perceber que falar é tão bom quanto um benegripe.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Iguais, iguaiszinhas...


Pagamos a conta.

Trabalhamos fora.

Moramos sozinhas.

Administramos as finanças.

Trocamos lâmpadas e, veja só, até podemos executar atentados terroristas. Sim, mulheres-bomba. “Grande conquista! Agora vocês estão iguais aos homens”, me falou alguém, um homem, ao observar a peculiaridade dos atentados na Rússia na semana anterior. Mas, isso não é novo.

O descompasso dos homens diante dessa geração de mulheres ao estilo Mexendo na Bolsa (não que alguma de nós seja uma potencial terrorista suicida), bom, isso sim, me parece, é relativamente novo, embora a tal queima de sutiãs remeta ao início do século passado.

Por um lado, o meu, não questiono a validade de tal luta. A igualdade conquistada, principalmente legalmente, muito me agrada pelo que considero a máxima do pensamento de Voltaire, que mesmo longe das salas de aula há tanto tempo, nunca esqueci, independente de questões de gênero: “Posso não concordar com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-lo”. Tudo em paz, mulheres com voz e sem a dependência dos pais ou do marido... Lindo.

Mas, luta, hoje? Para ser iguais aos homens?
Não, não acho isso válido. Mulher tem que lutar sim, mas pra ser respeitada como mulher, roubo a ideia de um dos homens que consultei sobre o assunto. “Vocês lutaram muito para ter os direitos iguais, mas o que, de certo fato aconteceu, foi um extremo. Em alguns casos saíram de um ponto e foram ao outro, ou seja, pegaram o que os homens têm de pior. Fora que muitas vezes penderam a feminilidade, a essência feminina que é o que nos atrai”, confessou um amigo.

Outro afirmou a mesma coisa, mas em relação a questões físicas e a musculatura exagerada ostentada por algumas mulheres. A divisão da conta com a namorada, para mais um, não era uma situação feliz. “Me sinto humilhado, não acho necessário”, confessou, enquanto outros não veem o mesmo problema, pelo contrário, não ficam tão complexados com isso quanto as garotas dessa geração que precisa manter o sutiã em queima.

Até o Ivan Martins já se perguntou até onde vai, por que as mulheres não querem mais ser mulheres, naquele tocante de fragilidade, beleza e sensualidade que significa o gênero.

Eu não acredito que a maioria de nós deseje abdicar disso, tanto quanto não acredito que queiramos ser reconhecidas pelo rostinho bonito. Mas isto não é questão de gênero, sim de caráter. Mas, até todo mundo entender, como ficamos?


Será a coragem da mulher a desgraça do homem moderno, como apregoa um ditado checheno?

terça-feira, 6 de abril de 2010

Beetle Juice, Beetle Juice, Beetle Juice...


O poder da palavra é algo magnífico, que às vezes, ou melhor, muitas vezes me surpreende!

Beetle Juice, Beetle Juice, Beetle Juice quando pronunciado três vezes, aparece para atormentar a vida dos vivos, e assim, um Beetle Juice, essa assombração, me atormentou na noite de sábado!

Eis que eu e mais dois amigos estávamos a falar sobre assuntos diversos, sentados no estacionamento de um posto de combustíveis, quando eu narrava um fato e disse Beetle Juice , depois sem querer disse Beetle Juice de novo, e não obstante aos comentários, escapou-me o terceiro Beetle Juice.

O Beetle Juice em questão mora a mais de 400 km do local onde eu estava, e após 5 segundos que eu pronunciei o seu nome pela terceira vez, eis que a lenda aconteceu: o Beetle Juice apareceu ali na minha frente, e é claro,minha reação foi típica de quem vê um fantasma, susto! E é claro tremi, perdi o ar, queria sair gritando, mas fiquei lá meio sem jeito e com cara de paisagem sem saber o que fazer na presença daquela assombração enterrada a sete palmos abaixo da terra no meu passado, que emergiu como uma lava incandescente vindo do centro da terra para a superfície.

O fantasma foi embora, a vida continua, mesmo eu assustada e com queimaduras de terceiro grau. Aprendi a lição, as palavras têm poder e a lenda é verdadeira. Não tentem isso em casa. Garanto que o susto é grande! E se o fantasma persistir, chamem os Caça Fantasmas ou a Ghost Whisperer para dar um jeito.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Cavalheirismo


Desculpem as leitoras da bolsa, mas essa é para os homens! Pode parecer absurdo, mas acho que homem gosta mais de cavalheirismo do que as mulheres. É sério. Ou isso, ou eu sou estranha. Mas todo homem que conheço gosta de deixar a mulher passar na frente. Tinha muitas discussões com um amigo que abria a porta do carro para mim!
Não sei, mas acho que eles gostavam mais daquele tempo em que as meninas se encantavam com essas coisas.
Não vou dizer que deva ser um grosso, lógico que se o amor da sua vida te esperar com uma rosa você vai se derreter toda. Só penso que hoje, isso pode incomodar em alguns aspectos. Quando você luta para ser reconhecida, é complicado ser destacada por ser mulher. Acho errada a existência de prêmios como o “Mulher Destaque”. Deve ser destaque de qualquer sexo, concorrendo com igualdade.
Não vou radicalizar também, em outros aspectos, é muito bom! Tenho um amigo que morre de raiva quando um policial grosso, que nunca dá entrevista, aceita conversar comigo! A cara dele quando eu falava que ele foi super simpático comigo era impagável.
Deixo então duas perguntas: o cavalheirismo é realmente valorizado pelos homens?
Para as mulheres: eu sou estranha ou vocês também ficam incomodadas com a simpatia da outra ala?

sábado, 3 de abril de 2010

Relógio Biológico


Estou chegando aos meus vinte e cinco anos, meu relógio biológico grita: Quero ter um filho(a)!
Não se assustem, eu não estou surtando!
Confesso que tenho muita vontade de encontrar um amor pra vida toda e constituir aquela família de comercial de margarina, mas atualmente o que mais tenho pensado é em ter um bebê.
É estranho isso não é?Grande parte das pessoas pensam como pode alguém planejar ter um filho sem antes se casar, ter um companheiro.
A resposta é:Não sei!
Pode ser até que isso esteja acontecendo pelo fato de minhas amigas terem engravidado por esses tempos e eu estar em contato constante com bebês, mas ainda prefiro pensar que isso é coisa da natureza mesmo.Sinto necessidade de começar uma nova fase e gostaria que isso fosse fácil assim como parece ao escrever esse texto.
Não sei quando tudo isso vai se realizar, se é que vai, mas quero muito que seja nos próximos três anos!rs


Enquanto isso sonho com nomes, rostinhos e roupinhas de bebê!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Castração química. Você é a favor?


Tratamento para reduzir a libido. É isso que propõe um projeto de lei que tem sido analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A ideia é, sim, polêmica, e pode causar impacto direto na saúde pública do país, além das mudanças no Código Penal.
Gerson Camata (PMDB-ES), autor do projeto, propõe que presos condenados por estupro, atentado violento ao pudor e corrupção de menores, em casos de pedofilia, sejam submetidos a processo de castração química. Mesmo antes de aprovado, o projeto tem causado muita discussão.
Para a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que é contrária à pena, o cidadão precisa ter certeza de que a punição vai ser efetiva. Não adianta o infrator receber um tratamento que reduza sua libido através de medicamentos que agem no controle hormonal se há a possibilidade de reincidência. E até de não cumprimento da punição, alega Alberto de Paula Machado, vice-presidente da OAB.
O tratamento já foi adotado nos Estados Unidos, Canadá e em alguns países europeus. Camata lembra, ainda, que, em alguns desses países, a reincidência leva o infrator a sofrer castração médica.
Se aprovado no Brasil, entretanto, o projeto apenas sugere que o infrator que aceitar submeter-se ao tratamento tenha redução de um terço da pena. Também há chances de o projeto ser votado para todos os tipos de crimes sexuais.
Talvez, com a efetivação do projeto, o número de crimes sexuais, especialmente com crianças, seja reduzido no País. Ajuda, mas não resolve. E você, acredita que a castração química seja uma boa alternativa? Por que?

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Eu tenho fé na força do silêncio

Eu prefiro a ausência de palavras às frases desordenadas, que ditas compulsivamente destoam sentidos.


Quem nunca foi vítima de fofoca, por favor, levante a mão. Não, ninguém aí? Pois bem, daí o meu desprezo por afirmações não baseadas em fatos concretos, pela especulação - mesquinha - à vida alheia.
Mulheres fofocam mais que os homens (eu acredito nisso, mesmo que pesquisas mostrem o contrário). Tenho muitos amigos do sexo masculino e nenhum deles se atreve a gastar tanto tempo falando da vida do vizinho quanto à mulherada. Tenho muitas amigas também, elas são capazes de passar horas contando detalhes dos detalhes dos detalhes daquele detalhe que a fulana falou para a sicrana, que jura que ouviu da boca da beltrana.
Não tão difícil de admitir, mas, vergonhoso: minhas companheiras de gênero são fissuradas por uma novidade, por um babado. Não nego que também gosto de estar informada acerca da vida dos outros, principalmente se for de pessoas que eu conheço e não tenho certa estima. Contudo, na maioria das vezes, desprezo os burburinhos, o disse-que-me disse, o telefone sem fio.
Já fui autora de um sexo que não pratiquei. Beijei bocas que nunca toquei, gostei de quem nunca conheci. Também já levaram a outros ouvidos o pedido que eu jamais mencionei e afirmações que eu não declarei. É por isso que eu prefiro o silêncio. Palavras em exagero fazem mal à saúde – o Ministério da Saúde deveria alertar a respeito!
Fofocas, frequentemente, são hipérboles. Não gosto de nada em excesso, pois, mesmo que por vezes eu seja excêntrica, primo pela descrição, pela transparência. O exagero me lembra encenações do tipo novela mexicana, histeria, falta de senso e equilíbrio...
Psiuuuuuuuuuuuu, silêncio. Por favor!

“Se as cores vão berrando num sol ensurdecedor
Fecho os olhos Â... Outro mundo
Vou morar no interior
Transbordou a mesa ao lado
Um tsunami arrasador
Fecho os olhos Â... Outro mundo
Vou morar no interior
Eu tenho fé na força do silêncio
Eu tenho fé na força do silêncio”

A força do Silêncio, Humberto Gessinger/Duka Leindecke. Pouca Vogal.