Funciona assim, já me contaram: um dia eles crescem.
Mas, já me falaram, também, que é praticamente impossível se acostumar com isso (provo do gostinho amargo - e doloroso- da independência dele na prática, como boa possessiva que sou).
Com a mochila nas costas e um sorriso matreiro no rosto branco contornado por cabelos da cor do suco de limão, ele se despediu e saiu de mãos dadas com a professora. Naquele aceno e na visão dele entrando na sala de aula percebi que aquele pedacinho de mim já não era mais tão meu, mas um pouco do mundo também.
Doeu.
Chorei.
Tive medo e a cabeça povoada por inúmeras dúvidas.
Por fim concluí que é a vida, se apresentando em sua maneira mais clássica. Não preciso me assustar, eu sei. Nasci, cresci, reproduzi e agora envelheço, para um dia desses (sabe-se lá qual sorte me reserva) vivenciar o derradeiro fim. É simples, mas complicamos. Ele, que vive o mesmo ciclo, não pode envelhecer?
Não, não pode, respondo rápido.
E quando chegar a escola de verdade, as festas, as namoradas e for a vez dos meus cabelos ficarem da cor do suco de limão? Apesar da resposta infantil de Peter Pan, foi sendo mãe que eu me emancipei mulher e que aprendi que a vida, sim, pode ter um lado bom – ou vários (basta procurar novos ângulos). Nenhuma outra responsabilidade fez com que aprendesse tanto e tivesse prazer nisso, mas com o tempo passando, a idade correndo e ele crescendo, queria poder parar um pouquinho.
Só um pouquinho mais para nós dois.
O tanto suficiente para eu tomar fôlego e voltar a correr com o tempo, esse tempo que não perdoa a mim nem a ele. Nem a ninguém.





